Após algum período de ansiedade a aguardar que fosse chamado para fazer parte duma turma de RVCC 12º em que aproveitei para consultar na net não só a legislação que suporta todo o processo, mas também alguns textos e blogues que tratam o tema, fui finalmente chamado.
Diário de Bordo - 17/5/2010 - 1ª Reunião
19h vários adultos aguardam numa sala do pavilhão de Novas Oportunidades, uns sentados a ler outros olhando o vazio e de soslaio para quem também espera, como que aferindo desde logo se o seu nível de competências estará a altura da epopeia que se iniciará.
- Quem vai iniciar o processo de RVCC que me siga! – Exclama uma voz feminina, que atravessa a sala com um molho de folhas debaixo do braço e põe em marcha, atrás de si, uma boa parte dos que aguardam.
Sobe-se uma escada e eis-nos numa sala organizada em “escola”, com um pé bastante alto que lhe retira sonoridade por acrescentar eco , tem cerca de 20 mesas de duas cadeiras, um bom equipamento de projecção e dois quadros brancos dispostos demasiado baixos para que quem está mais atrás possa ler o que se escreve no fundo.
Somos cerca de 40, todos com ar preocupado pelo desconhecido e cada um escolhe sentar-se onde quer ou talvez recordando onde o fazia há umas dezenas de anos atrás.
Estranha esta sensação de voltar aos bancos da escola, e aos inícios de aulas em que se testava as canetas e cadernos acabados de estrear, a abertura das páginas dos livros novos com o seu som e cheiro característicos, mas em que a principal preocupação se situava no sabermos quem era o “stor” que nos tocava naquela disciplina e que histórias se contavam dele.
Ali tudo era mais fácil já que era a voz feminina que tinha atravessado a sala que apresentou como Técnica do processo RVCC da nossa equipa e quebrado o gelo inicial, lá surgiram algumas questões postas pelos mais audazes, mas que por certo seriam as de todos e que davam não só conta da planificação e prazos de entrega dos trabalhos como dos textos reflexivos que cada um teria de compor, bem como a forma de os colocar numa pasta organizada por separadores.
Verifiquei que a minha companheira de carteira, que chegou atrasada e sem papel para escrever o que lhe facultei, estava com algumas dificuldades em entender o processo e ainda cochichei um ou outro apoio ao que se ia dizendo. No fim quando me perguntou aonde poderia encontrar um curriculum em formato europeu indiquei-lhe que era fácil encontrá-lo na net, mas perante o seu olhar dispus-me a ajudá-la passando-lhe o nº do meu telemóvel para o caso de ter dificuldades, o que simpaticamente agradeceu.
Pelo caminho eram apontadas algumas “más práticas” de plágio face ao que se pode recolher da net e “boas práticas” de como efectivamente as coisas devem ser feitas.
Diário de Bordo - 23/5/2010
Agora que já tenho a pasta e os separadores, passei este Domingo a deitar mão à segunda tarefa que é a de construir a Autobiografia.
Para a construir visitei alguns sites e o que me pareceu melhor tem o título " 7 passos para construir uma autobiografia", que no fundo aconselha-nos a uma divisão em 4 rubricas Infância / Adolescência / Adulto / Actualidade.
Tudo isto dentro dum contexto social, económico e cultural, em que se salientem as vivências e aprendizagens quer pessoais quer profissionais, havendo o cuidado de adicionar documentos que comprovem o que se relata.
Confesso que foi difícil arrancar para o texto mas seguindo a divisão acima as ideias ficam organizadas e vamos teclando e a pouco e pouco lá ia construindo a minha autobiografia e acabei por seguir apenas em parte aquela estrutura, já que decidi construir o texto como se estivesse a contar a história da minha vida ao meu neto/a, que ainda não tenho.
Faltava a revisão do texto, já que quando estamos a escrever as ideias às vezes, fazendo sentido para nós, não o fazem para quem lê. Assim a minha mulher lá perdeu meia hora do seu tempo nesta tarefa para mim bem útil.
De novo cheguei com alguns minutos de antecedência às 19 horas, para termos a nossa segunda reunião planificada. O sumário era complexo "Confronto com o referencial da STC/CLC/CP".
Desta vez foi um tipo novo de barbas que atravessou a sala que referiu aos presentes, que quem estivesse para a aula das 19h que o seguisse e lá fomos de novo para a mesma sala.
Este formador é muito cativante no seu discurso e como referiu, descodificou o que nos era pedido no sumário, duma forma brilhante.
Ficou assim claro que:
a)São precisos 44 crédito no mínimo para se poder estar perante o Júri a defender o nosso Portefólio
b)Esses 44 créditos são: 16 em Cidadania e Profissionalidade (CP) - 14 em Sociedade Tecnologia e Ciência (STC) - 14 em Cultura Língua e Comunicação (CLC)
c)Será no decorrer da Autobiografia que teremos de ir abordando de acordo com o nosso percurso, dois temas de cada página dos diversos núcleos.
Não teremos sequer de identificar no que escrevemos que estamos a abordar especificamente determinado tema, já que serão os formadores que ao lerem os nossos PRA's os valorizarão.
Pode mesmo haver um tema que ao ser abordado nas vertentes Culturais, Tecnológicas e com impacto na Profissionalidade acabe por lhe serem atribuídos três créditos, um para cada um destes temas que ficam assim abordados duma vez só.
De assinalar que a cada tema será apenas atribuído um crédito e não será por escrever muito sobre esse tema, que esse crédito será maior ou melhor que os outros.
Para esclarecer o que se pretende o formador de forma hábil associou a autobiografia a um "jogo de sueca" e pediu a um formando para baralhar as diversas folhas e escolher um núcleo, de seguida indicar um tema dos quatro possíveis. Iniciou-se então uma hipotética Autobiografia, integrando o tema escolhido com uma facilidade fascinante.
Passou a outro que escolheu outro tema doutro núcleo e continuou a Autobiografia iniciada, focando esse tema e com a ajuda do formador ramificou-o para outro tema doutro núcleo.
De repente o que parecia complicado tornou-se simples.
Marcante foi o facto, duma colega ter chegado atrasada por impedimento profissionais e simpaticamente o formador não só a tentou integrar no que se tinha explicado conseguindo não desinteressar a turma, como se dispôs a se tivesse dúvidas a poderia receber outro dia desta semana.
No final, tinha quase a certeza que a formação académica daquele "simpático tipo de barbas" que nos tinha conduzido inicialmente àquela sala, era na área da filosofia e... acertei!
Esta segunda reunião para mim foi um espectáculo.
Disponibilizei-me a criar um email para o grupo trocar ideias e se ajudar mutuamente.
Desta vez foi um tipo novo de barbas que atravessou a sala que referiu aos presentes, que quem estivesse para a aula das 19h que o seguisse e lá fomos de novo para a mesma sala.
Este formador é muito cativante no seu discurso e como referiu, descodificou o que nos era pedido no sumário, duma forma brilhante.
Ficou assim claro que:
a)São precisos 44 crédito no mínimo para se poder estar perante o Júri a defender o nosso Portefólio
b)Esses 44 créditos são: 16 em Cidadania e Profissionalidade (CP) - 14 em Sociedade Tecnologia e Ciência (STC) - 14 em Cultura Língua e Comunicação (CLC)
c)Será no decorrer da Autobiografia que teremos de ir abordando de acordo com o nosso percurso, dois temas de cada página dos diversos núcleos.
Não teremos sequer de identificar no que escrevemos que estamos a abordar especificamente determinado tema, já que serão os formadores que ao lerem os nossos PRA's os valorizarão.
Pode mesmo haver um tema que ao ser abordado nas vertentes Culturais, Tecnológicas e com impacto na Profissionalidade acabe por lhe serem atribuídos três créditos, um para cada um destes temas que ficam assim abordados duma vez só.
De assinalar que a cada tema será apenas atribuído um crédito e não será por escrever muito sobre esse tema, que esse crédito será maior ou melhor que os outros.
Para esclarecer o que se pretende o formador de forma hábil associou a autobiografia a um "jogo de sueca" e pediu a um formando para baralhar as diversas folhas e escolher um núcleo, de seguida indicar um tema dos quatro possíveis. Iniciou-se então uma hipotética Autobiografia, integrando o tema escolhido com uma facilidade fascinante.
Passou a outro que escolheu outro tema doutro núcleo e continuou a Autobiografia iniciada, focando esse tema e com a ajuda do formador ramificou-o para outro tema doutro núcleo.
De repente o que parecia complicado tornou-se simples.
Marcante foi o facto, duma colega ter chegado atrasada por impedimento profissionais e simpaticamente o formador não só a tentou integrar no que se tinha explicado conseguindo não desinteressar a turma, como se dispôs a se tivesse dúvidas a poderia receber outro dia desta semana.
No final, tinha quase a certeza que a formação académica daquele "simpático tipo de barbas" que nos tinha conduzido inicialmente àquela sala, era na área da filosofia e... acertei!
Esta segunda reunião para mim foi um espectáculo.
Disponibilizei-me a criar um email para o grupo trocar ideias e se ajudar mutuamente.
Hoje tivemos a terceira reunião e como sempre cheguei com uma antecedência de alguns minutos. Sabia que hoje iríamos conhecer uma nova formadora e que a reunião tinha um sumário sugestivo "Formação Complementar de CLC"(*)
Como sempre aguardei na sala que ao contrário das outras vezes via com menos gente, talvez uns 4 ou 5.
Uma moça nova questiona os presente - Quem está para a formação das 19h, e o grupo dos 4 ou 5 lá a seguiram, mas desta vez para uma outra sala, mais pequena e mal iluminada, como se se antecipasse que dos 20 e tal 30 usuais, aparecessem só 12 ou 15 já que não caberiam mais..
Reparei que ligou o quadro interactivo, apesar de ser evidente não estar muito à vontade a utilizá-lo.
Apresentou-se como não sendo a nossa formadora, mas estando a substituí-la e lá clicou no quadro e foi de novo mostrando como construir um portefólio, facto que já tínhamos ouvido na primeira e segunda reunião, o que me surpreendeu já que estava à espera doutra coisa.
Mas para meu espanto, a confusão ainda era muita nos meus colegas de turma e as questões mais elementares voltaram de novo a ser levantadas, o que denotava que efectivamente os colegas estavam baralhados e com necessidade de ajuda, pois ficou claro que estavam a ter dificuldades em arrancar com o processo.
Como já repararam tenho o esboço da minha autobiografia iniciada e fiquei espantado ao ouvir desta formadora que na construção da autobiografia devíamos colocar um cunho "académico", "formal", não devendo por isso ter abordagens poéticas ou começar tipo " Olá, sou Fulano.." senti que alguns rabos se moveram nas cadeiras acusando algum desconforto, acrescido da dificuldade em arrancar.
Ora isto, não só contrariava tudo o que tinha ouvido nas anteriores reuniões, como verificava que teria que reconstruir o meu trabalho já iniciado.
Decidi-me pois intervir, e qual não é o meu espanto que constatei que o discurso entre os formadores não estava alinhado pois, de imediato a formadora em questão deu "o dito por não dito", indicando que efectivamente podíamos ser criativos desde que mantivéssemos o rigor no percurso reflexivo.
Decidi que não deveria mais intervir mesmo quando senti uma outra discrepância, já que um formando, que pela primeira vez assistia a reuniões e naturalmente fazia as perguntas mais básicas, questionou se teria de apresentar o portefólio em papel ou em formato digital. Recebeu a indicação que poderia trazer tudo numa "pen" que os serviços imprimiam e davam aos formadores para avaliar, quando a nós tinha sido dito que teríamos de criar uma pasta, preparar os separadores e caso não tivéssemos impressora, devíamos pedir previamente para serem impressos, para os colocarmos dentro do portefólio a entregar em 7 de Junho, o que não era bem a mesma coisa.
Tudo isto durou uma hora e como percebi que se ia terminar a reunião, pedi para transmitir ao grupo que tinha criado um mail específico para os colegas poderem trocar ideias e ajudas.
Neste momento apareceu a nossa Técnica de RVC, que após tentar saber "como iam as coisas" e apesar dos silêncios e mesmo dum colega ter dito que no primeiro dia depois de a ouvir esteve com vontade de desistir. Nada foi dito e ficou-se por aí , pois já havia gente a sair da sala apesar de todos saberem que estas sessões teoricamente deveriam terminar às 22h.
Conclusão pouco ou nada aproveitei desta reunião e vou atirar-me à melhoria da minha autobiografia incorporando nela os temas propostos.
(*)CLC - Cultura Língua e Comunicação
Como sempre aguardei na sala que ao contrário das outras vezes via com menos gente, talvez uns 4 ou 5.
Uma moça nova questiona os presente - Quem está para a formação das 19h, e o grupo dos 4 ou 5 lá a seguiram, mas desta vez para uma outra sala, mais pequena e mal iluminada, como se se antecipasse que dos 20 e tal 30 usuais, aparecessem só 12 ou 15 já que não caberiam mais..
Reparei que ligou o quadro interactivo, apesar de ser evidente não estar muito à vontade a utilizá-lo.
Apresentou-se como não sendo a nossa formadora, mas estando a substituí-la e lá clicou no quadro e foi de novo mostrando como construir um portefólio, facto que já tínhamos ouvido na primeira e segunda reunião, o que me surpreendeu já que estava à espera doutra coisa.
Mas para meu espanto, a confusão ainda era muita nos meus colegas de turma e as questões mais elementares voltaram de novo a ser levantadas, o que denotava que efectivamente os colegas estavam baralhados e com necessidade de ajuda, pois ficou claro que estavam a ter dificuldades em arrancar com o processo.
Como já repararam tenho o esboço da minha autobiografia iniciada e fiquei espantado ao ouvir desta formadora que na construção da autobiografia devíamos colocar um cunho "académico", "formal", não devendo por isso ter abordagens poéticas ou começar tipo " Olá, sou Fulano.." senti que alguns rabos se moveram nas cadeiras acusando algum desconforto, acrescido da dificuldade em arrancar.
Ora isto, não só contrariava tudo o que tinha ouvido nas anteriores reuniões, como verificava que teria que reconstruir o meu trabalho já iniciado.
Decidi-me pois intervir, e qual não é o meu espanto que constatei que o discurso entre os formadores não estava alinhado pois, de imediato a formadora em questão deu "o dito por não dito", indicando que efectivamente podíamos ser criativos desde que mantivéssemos o rigor no percurso reflexivo.
Decidi que não deveria mais intervir mesmo quando senti uma outra discrepância, já que um formando, que pela primeira vez assistia a reuniões e naturalmente fazia as perguntas mais básicas, questionou se teria de apresentar o portefólio em papel ou em formato digital. Recebeu a indicação que poderia trazer tudo numa "pen" que os serviços imprimiam e davam aos formadores para avaliar, quando a nós tinha sido dito que teríamos de criar uma pasta, preparar os separadores e caso não tivéssemos impressora, devíamos pedir previamente para serem impressos, para os colocarmos dentro do portefólio a entregar em 7 de Junho, o que não era bem a mesma coisa.
Tudo isto durou uma hora e como percebi que se ia terminar a reunião, pedi para transmitir ao grupo que tinha criado um mail específico para os colegas poderem trocar ideias e ajudas.
Neste momento apareceu a nossa Técnica de RVC, que após tentar saber "como iam as coisas" e apesar dos silêncios e mesmo dum colega ter dito que no primeiro dia depois de a ouvir esteve com vontade de desistir. Nada foi dito e ficou-se por aí , pois já havia gente a sair da sala apesar de todos saberem que estas sessões teoricamente deveriam terminar às 22h.
Conclusão pouco ou nada aproveitei desta reunião e vou atirar-me à melhoria da minha autobiografia incorporando nela os temas propostos.
(*)CLC - Cultura Língua e Comunicação